terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crime casual

Ela pegou a poesia, mediu pra ver se caberia.
Vestiu-me sem roupa, era fantoche.
Esqueci as horas passando, e passeei dentro dela.
Conheci teus lugares, arrepios na testa.

Desarrumei tua casa, lançou teu perfume.
Baguncei teu cabelo, suei o quanto pude.
Sentiu a plenitude, e completa se fez.
Chegamos juntos, parecia um rei.

A água que se atreveu tocar a tua pele
Evaporou, antes mesmo de chegar.
Me dissera então assim sem fala alguma:
"Aproveite o momento antes de evaporar"

Álisson Bonsuet.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Outra vida

Eu era cão enquanto ela caçava com gato.
Eu era chão enquanto ela voava com os pássaros.
Pra solidão: Solidário.
Amor em solicitação: Solitário.

Me fiz de simples, ela foi composto.

Fui de direita, ela foi anarquista.
Pintei as ruas que choviam em agosto.
Ela não passou nem de visita.

Quem sabe então haverá outra vida.

Uma que eu possa ser melhor pra ti.
Que no quintal a gente solte os filhos.
E nesse encontro te encontre em mim.

Álisson Bonsuet




sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Sereia e pescador

Antônio pescador jogava o barco no mar.
Todos os dias vinha de lá pra cá.
Em cada porto tinha uma paixão diferente.
Se morresse seria enterrado como indigente.

Não tinha medo de tempestade.
Saia sempre com muita humildade.
Pedia a bênção a Iemanjá.
Sempre se benzia antes de se jogar.

Ouvia as lendas de pescador.
Lendas de quem acreditava no amor.
Dizia sem sorte por nunca ter encontrado.
Ia pro mar bravo sem pressa, mas nunca atrasado.

Um dia desses navegava e o céu fechou.
Tempestade forte, teu barco naufragou.
Uma sereia boa o ajudou.
Ele que não acreditava se apaixonou.

Hoje vivem lá no fundo do mar.
Não é desenho americano.
Muito menos estória contada pelo vovô.
Foi o que aconteceu com a sereia e o pescador.

Álisson Bonsuet.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Desaprendendo em agosto

Eu entendia de tudo sobre todas as coisas.
Eu entendia da morte e das outras pessoas.
Eu entendia matemática, entendia geografia.
Tirava as roupas de noite e as colhia de dia.

Fui entender dos entendimentos dos outros.
Me perdi em agosto, sem tempo pra setembro.
Desconheci o inverno de dentro da moça.
Não era português o que saia da boca.

Se é sobre o amor, se é sobre a ela.
Será labirinto nos becos e vielas.
Se é sobre a viagem que fiz dentro dela.
Ninguém nunca saberá.

Eu sei lá, foi paixão.
Eu não sei de nada.
Eu serei solidão.
Incerteza em exatas.

Álisson Bonsuet.

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Nosso novo nome

E novamente eu vou pintando a minha casa.
De nova mente encontrando a minha cara.
Que é sua, que é nossa, menos fossa, meio bossa.

Vamos rir e deixar o vento bater.
Que leve a tristeza, que esqueça as certezas.
Que invente mil desculpas, novas.

O sol volta a ser rosa, a conversa vira prosa.
Amanhece o dia como se fosse poesia.
A noite chega com o cheirinho da boemia.

Odiarei mil poesias minhas.
Tu amarás como se fossem filhas.
Nas trilhas do nosso novo nome.

Álisson Bonsuet.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

Passada de passarinha

Ela passará por você outras dez mil vezes.
Você olhará com fome, suplicando teu nome.
Ela vai sorrir,  te fazer de bobo e sapato.
Se casará com outro cara, moreno e alto.
Mas ainda assim, passará por você outras dez mil vezes.

Álisson Bonsuet.


quinta-feira, 4 de julho de 2013

Cordel blogueado e passarificado

Maria Helena queria se casar com o tal do Zé
Zé gostava de Helena e Helena ainda gostava de Zé
Zé um pássaro cantador se viu perdendo o amor
Helena queria o canto só pra ela, numa gaiola na sala
Com uma única fala e suco de seriguela.

Que maldade tirar deste céu o que nunca vai ser seu
Passarinho versificando em cordel a vida fora do papel
Morreremos sem levar nenhuma roupa, e o que nos resta?
Milhões de beijinhos na boca cantando e catando os amores das flores
Vivendo e conhecendo os sabores das dores, e só. Acompanhado é melhor.

Zé queria ser amado sem estar acorrentado, o amor é libertário. Solta eu, não vai sem migo.

Álisson Bonsuet