segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A praga do anjo

E, se o anjo insiste em se apaixonar.
E, se a moldura por si só não salvar.
O certo a fazer, é ser errado ao se entregar.

Toda essa estória fez o anjo mandão.
Ver que a vida é quase sempre com razão
Os sinais o mundo deu, pois até ele percebeu.
Não precisava de sinal para assinar o dito e certo

O anjo virou praga quando a praga viu o anjo.
Os dois hoje são um só, separados por motivos.
Mas anjo que é anjo sabe quando erra.
Não desgruda nem por nada dessa praga quase certa.


Álisson Bonsuet.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pedras perdidas

Cresci rodeado de estranhos.
Até saber que o estranho era eu.
Caí com as pedras e perdas.
O rancor foi o que me fortaleceu.


Tudo bem eu acabar com a minha vida.
É a minha mesmo, quem se importa?
É legal se eu não curo as feridas.
A minha certeza nasceu morta.


Assim eu acordo nos dias de felicidade.
Sem saber se sinto, sem saber a verdade.
Pois é assim que eu acordo todos os meus dias.
Dias esses, que poderiam ser com alegria.


Após a tempestade, as lágrimas vão embora.
Embora eu não seja um amante de auroras.
Por fora eu não sou amante algum.
Mas a vida é minha, eu destruo sem querer.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um novo amanhecer

Intolerância, inimizade, desigualdade.
A voz que invade a mente vazia.
Mãos trêmulas que regem o futuro.
As mãos trêmulas da antropofagia.


Comem a minha paz, por ganancia.
Comem a minha alma por arrogância.
Numa dessas, arranca a minha beleza.
A verdade imaterial, o saber, a destreza.


Mas é preciso sentir a dor para ver cor.
Pois é preciso sentir odor para conhecer a flor.
E necessidade plantar e não comprar.
É bem vinda toda a forma de amar.


Amando, o amanhecer vai acontecer.
A mando do ser presente ao se fazer.
Sonhando com um novo prazer.
Sem dinheiro, sem a capitalização do poder.


Álisson Bonsuet.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Maravilhosa angústia

Existe algo dentro de mim, é uma angústia boa de ser sentida.
Que talvez por mais de uma vida, me assombra e assombrou.
É uma necessidade de ser liberto, ser humano, ser incerto.
É ainda uma urbanidade vivida, contida em músicas, cheiros.


Pode ser a cópia do pobre proletariado, numa rotina monótona.
Deve ser em preto e branco, como um dia não quis que fosse.
Hoje, podemos sair, beber, sentir os carros pulsando a toxina.
E ainda ver a menina, com suas roupas velhas, sem rima.


Mas valorizo os sentimentos se é angústia que hoje eu sinto.
Mas vale a pena o sofrimento se não for um sentimento perdido.
Isso só me arrasta para algo que eu detesto, sem cor.
Isso só me afasta do mistério, mas é isso que eu sinto, em cinza sem amor.