segunda-feira, 12 de março de 2012

Paterno

O que ontem era-me doloroso.
O que ontem fazia-me morrer.
Hoje veio fortalecer, fazer crescer.


Não entendia seus valores.
Não entendia suas crenças.
Nem conseguia me entender.


Pobre de mim que pensei errado.
Ele estava sempre cronometrado.
Sabia manipular o tempo, o da vida.


O bom é que, ele não precisou ir.
Não precisou ir pra eu dar valor.
Agora entendi o seu amor, pai.


(Álisson Bonsuet)



domingo, 11 de março de 2012

Destino sempre certo que será incerto

E eu ainda amo um amor quase impossível.
Um daqueles que já sabemos, sempre é.
Me remete a pensamentos tão distintos.
É o destino que me faz sempre ter fé.


Não é aquela fé que os homens sentem.
Que creem em algo divino, divindades onipresentes.
É apenas a esperança de sonhar em tê-lo.
O amor que seja meu, aquele que é verdadeiro.


Conscientemente, já não minto para mim.
Seria perda de tempo, perda de juízo.
Se é que eu o tenho, se é que não me foi roubado.
Não posso e não vou fugir, o futuro está guardado.

domingo, 4 de março de 2012

Fazer valer

Dorme amor, amanhã o sol vai querer nos ver.
Dorme vida, eu sei que doeu para perceber.


Tudo tem seus ciclos e fases.
Tudo o que faço é sentir.
Perdão se pus nossas vidas nos mares.
Perdão se não posso sorrir.


Talvez seria pedir muito.
Mesmo que não pedisse nada.
Só quero o que sempre foi meu.
Mas sei, abandonei nossa estrada.


E se o poeta não vale de nada.
Lembra do amor sem igual.
Ainda amava o momento.
Passava lento, tudo sempre surreal.


E se nada é certo, eu também não seria.
Ter você por perto, ter de volta a magia.
Querer-te é pedir muito, pois tudo é você.
Querer-te é pedir mundo, o antigo prazer.


Álisson Bonsuet.



segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

A praga do anjo

E, se o anjo insiste em se apaixonar.
E, se a moldura por si só não salvar.
O certo a fazer, é ser errado ao se entregar.

Toda essa estória fez o anjo mandão.
Ver que a vida é quase sempre com razão
Os sinais o mundo deu, pois até ele percebeu.
Não precisava de sinal para assinar o dito e certo

O anjo virou praga quando a praga viu o anjo.
Os dois hoje são um só, separados por motivos.
Mas anjo que é anjo sabe quando erra.
Não desgruda nem por nada dessa praga quase certa.


Álisson Bonsuet.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pedras perdidas

Cresci rodeado de estranhos.
Até saber que o estranho era eu.
Caí com as pedras e perdas.
O rancor foi o que me fortaleceu.


Tudo bem eu acabar com a minha vida.
É a minha mesmo, quem se importa?
É legal se eu não curo as feridas.
A minha certeza nasceu morta.


Assim eu acordo nos dias de felicidade.
Sem saber se sinto, sem saber a verdade.
Pois é assim que eu acordo todos os meus dias.
Dias esses, que poderiam ser com alegria.


Após a tempestade, as lágrimas vão embora.
Embora eu não seja um amante de auroras.
Por fora eu não sou amante algum.
Mas a vida é minha, eu destruo sem querer.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um novo amanhecer

Intolerância, inimizade, desigualdade.
A voz que invade a mente vazia.
Mãos trêmulas que regem o futuro.
As mãos trêmulas da antropofagia.


Comem a minha paz, por ganancia.
Comem a minha alma por arrogância.
Numa dessas, arranca a minha beleza.
A verdade imaterial, o saber, a destreza.


Mas é preciso sentir a dor para ver cor.
Pois é preciso sentir odor para conhecer a flor.
E necessidade plantar e não comprar.
É bem vinda toda a forma de amar.


Amando, o amanhecer vai acontecer.
A mando do ser presente ao se fazer.
Sonhando com um novo prazer.
Sem dinheiro, sem a capitalização do poder.


Álisson Bonsuet.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Maravilhosa angústia

Existe algo dentro de mim, é uma angústia boa de ser sentida.
Que talvez por mais de uma vida, me assombra e assombrou.
É uma necessidade de ser liberto, ser humano, ser incerto.
É ainda uma urbanidade vivida, contida em músicas, cheiros.


Pode ser a cópia do pobre proletariado, numa rotina monótona.
Deve ser em preto e branco, como um dia não quis que fosse.
Hoje, podemos sair, beber, sentir os carros pulsando a toxina.
E ainda ver a menina, com suas roupas velhas, sem rima.


Mas valorizo os sentimentos se é angústia que hoje eu sinto.
Mas vale a pena o sofrimento se não for um sentimento perdido.
Isso só me arrasta para algo que eu detesto, sem cor.
Isso só me afasta do mistério, mas é isso que eu sinto, em cinza sem amor.