sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Pedras perdidas

Cresci rodeado de estranhos.
Até saber que o estranho era eu.
Caí com as pedras e perdas.
O rancor foi o que me fortaleceu.


Tudo bem eu acabar com a minha vida.
É a minha mesmo, quem se importa?
É legal se eu não curo as feridas.
A minha certeza nasceu morta.


Assim eu acordo nos dias de felicidade.
Sem saber se sinto, sem saber a verdade.
Pois é assim que eu acordo todos os meus dias.
Dias esses, que poderiam ser com alegria.


Após a tempestade, as lágrimas vão embora.
Embora eu não seja um amante de auroras.
Por fora eu não sou amante algum.
Mas a vida é minha, eu destruo sem querer.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

Um novo amanhecer

Intolerância, inimizade, desigualdade.
A voz que invade a mente vazia.
Mãos trêmulas que regem o futuro.
As mãos trêmulas da antropofagia.


Comem a minha paz, por ganancia.
Comem a minha alma por arrogância.
Numa dessas, arranca a minha beleza.
A verdade imaterial, o saber, a destreza.


Mas é preciso sentir a dor para ver cor.
Pois é preciso sentir odor para conhecer a flor.
E necessidade plantar e não comprar.
É bem vinda toda a forma de amar.


Amando, o amanhecer vai acontecer.
A mando do ser presente ao se fazer.
Sonhando com um novo prazer.
Sem dinheiro, sem a capitalização do poder.


Álisson Bonsuet.



sábado, 4 de fevereiro de 2012

Maravilhosa angústia

Existe algo dentro de mim, é uma angústia boa de ser sentida.
Que talvez por mais de uma vida, me assombra e assombrou.
É uma necessidade de ser liberto, ser humano, ser incerto.
É ainda uma urbanidade vivida, contida em músicas, cheiros.


Pode ser a cópia do pobre proletariado, numa rotina monótona.
Deve ser em preto e branco, como um dia não quis que fosse.
Hoje, podemos sair, beber, sentir os carros pulsando a toxina.
E ainda ver a menina, com suas roupas velhas, sem rima.


Mas valorizo os sentimentos se é angústia que hoje eu sinto.
Mas vale a pena o sofrimento se não for um sentimento perdido.
Isso só me arrasta para algo que eu detesto, sem cor.
Isso só me afasta do mistério, mas é isso que eu sinto, em cinza sem amor.









quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Passo a passo

O célebre cérebro, celebrou o amor.
Ao invéz de dor, da dor da razão.
Que por tão somente vaidade.
Pôs-se em plena divindade.
E sem perceber que arde.
Forte fogo da paixão.


Corta agora, a porta corta fogo.
Que separa um do outro, louco.
Me atravessa seus olhares de emoção.
Pois é moça, a mulher do coração.
Que em pedaços se refaz pouco a pouco.
Que em pedaços me devora feito lobo.


Rouba-me a vida e enche-me de esperança.
Meus problemas são ligados a você.
E as ligações desesperadas te faziam perceber.
Que é paixão, se não, é amor, talvez fosse asia.
Pois queima, assim como falavam no poema.
De amor em amor, como flor desabrochou, despedaçou.


Sim, é apenas asia e mal estar.
É por não poder estar com você.
É por mal tentar-me presente fazer.
É por te querer bem sem estar doente.
É coisa que não se pode explicar.
É por isso que arde, me arde sem machucar.


Álisson Bonsuet.







quarta-feira, 11 de janeiro de 2012

Ciúmes do meu amor

Eu ando e canto pra recompensar o santo.
Que em vossa santidade, me arrumou um canto.
Cheio de encantos, encantos tantos, me fazem voar.


Me fazem ainda, sentir a mais viva, chama que me arde.
Vento que me sopra, lago que me corre, logo me invade. 
E ali se instala, o mais puro sentimento, que traz consigo o veneno.


Vem dentro de um ser, ciúmes de amor, talvez sem poder.
Estar contigo onde for, mas de certo eu sei que sempre estarei.
Dentro de ti é muito perto, que até cego por opção consegue enxergar. 


Álisson Bonsuet.



terça-feira, 10 de janeiro de 2012

Vida

Observo-me em mudança de vida.
A mudança que afetou os meus pais.
Que por uma vez já mudou ancestrais.
Mas ainda que me mude é tudo muito igual.


Uma poética linear que segue sem cessar.
As vezes louca as vezes não, sempre com paixão.
Pois é isso que ela é, o fogo cego que se vê.
A natureza do viver, o verde cheiro da emoção.


Álisson Bonsuet.



sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Saudade

E do que adianta chorar em meio ao mar?
E do que adianta ainda sequer chorar?
E a voz que adianta a dor, já escurece a cor.
E a paz que adianta a calma, ta faltando em minh'alma.


E o que falta acontecer para eu aprender a viver?
E o que falta acabar para a maturidade chegar?
E nada mais falta, só faz falta se é de amar...


Álisson Bonsuet.