quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Como estrela e como amante

O acaso foi caçando você pra se casar em mim.
Tirou casaco e só de véu se entregou assim.
Que só de ver aquela luz cair.
Já era tarde te querer por fim.

E te queria meio Tom Jobim.
Como piano, solidão e gim.
E te chamava de anjo azul.
Ouvindo Chico, melancolia e rum.

Álisson Bonsuet

terça-feira, 10 de setembro de 2013

Bem feito amor

Meu bem, desculpa a barba.
Cê fica brava, mas é lindo de se ver.
Amor, desculpa nada.
Eu sei que gosta dos defeitos...
Fui mal feito pra você.

Álisson Bonsuet




quarta-feira, 4 de setembro de 2013

Na fila do pão

Primeiro vamos nos encontrar.
Os olhos terão certeza.
Dentro de tanta beleza.
Acharia o teu lugar.

A gente ri, tudo fica lindo.
Como índios, a gente dança.
Ouve Bete e Balança.
Cícero e Caê.

Te peço em casamento de brincadeira.
Você aceita de inverdade.
Começamos algo forte.
Não se vê medo de morte.

Os meses vão passando.
Os dias nos gastando.
Ciume nos castiga.
Você me chamou de vida.

A vida é difícil meu bem.
Vai pensando em ter neném.
E eu pensando em dormir.
Já andamos até aqui.

Agora é cada um prum canto.
Dedos de uísque, música de pranto.
Não era pra tanto, exagero meu.
Esquece o que foi um dia tão seu.

Acordamos e nos vestimos.
Saímos com pressa.
Resistimos então.
Daqui a pouco vem outro olho, na praça.

Amor...

Álisson Bonsuet

terça-feira, 3 de setembro de 2013

Sol mente

A menina do laço chorou o que rompia.
Fechou as janelas, primavera chovia.
Verão bateu a porta pra secar e dar calor.
Talvez atrás da fortaleza a menina guarde amor.

Guarda-chuvas de rancor.
Guardanapos rabiscados.
Pra enxugar talvez dois corpos.
Pra ser assim o nosso caso.

O acaso deixa entrar.
Pro acaso acontecer.
Pra uma luz alumiar.
Véu se caso com você.

Álisson Bonsuet

terça-feira, 27 de agosto de 2013

Pena de poeta

Quando alguém vier pra te dizer.
(Por ilusão ou atrevimento)
Que te esperou por uma vida.
Acredite antes em mim.

Hoje ando tão assim, sem rima.

Nos bares, caindo em cada esquina.
No choro, da janela na menina.

Os amigos, trago no peito.

Dois cigarros amassados.
Amassando um ser sujeito.

Se te amo é por ser novo.

Se te odeio, meio otário.
Se é novo não é sábio.
Em teus lábios sou desgraça.

Alma velha é como a dor para um bom samba.

É o tempero do poeta.
Deve haver coisa que sangra.

Mas você já me conhece.

Seu eu tiver algo que preste
Entenderá um verso assim.

Mas você sabe que é drama.

Se a saudade não reclama.
Ainda faz parte do fim.

Álisson Bonsuet

terça-feira, 13 de agosto de 2013

Crime casual

Ela pegou a poesia, mediu pra ver se caberia.
Vestiu-me sem roupa, era fantoche.
Esqueci as horas passando, e passeei dentro dela.
Conheci teus lugares, arrepios na testa.

Desarrumei tua casa, lançou teu perfume.
Baguncei teu cabelo, suei o quanto pude.
Sentiu a plenitude, e completa se fez.
Chegamos juntos, parecia um rei.

A água que se atreveu tocar a tua pele
Evaporou, antes mesmo de chegar.
Me dissera então assim sem fala alguma:
"Aproveite o momento antes de evaporar"

Álisson Bonsuet.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Outra vida

Eu era cão enquanto ela caçava com gato.
Eu era chão enquanto ela voava com os pássaros.
Pra solidão: Solidário.
Amor em solicitação: Solitário.

Me fiz de simples, ela foi composto.

Fui de direita, ela foi anarquista.
Pintei as ruas que choviam em agosto.
Ela não passou nem de visita.

Quem sabe então haverá outra vida.

Uma que eu possa ser melhor pra ti.
Que no quintal a gente solte os filhos.
E nesse encontro te encontre em mim.

Álisson Bonsuet