segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Ensaio sobre os tempos modernos

Pra entender a vida eu teria que ser um cão.
Não teria teu coração, só sentiria feromônios.
Sabe, cão de rua, que não precisa de doutor?
Nem calendário, nem amor, ou dinheiro pra passagem.

Daqui a uns dias, amor vira é palavrão.
E se ninguém o explica então.
É bruxaria, indignação.
O que se sente já não vale!

Por isso eu bebo, eu como eu mordo.
Pra ver ser volto aos tempos de adulto.
Onde o sentimento é absurdo.
Onde o lucro é o nosso deus.

Álisson Bonsuet.


sábado, 19 de janeiro de 2013

Mais um voo

Um dia acordaremos sem amor.
Como é triste ter que perder tal emoção.
Qualquer dia desses acordaremos sem rancor.
É melhor aprender,  não podemos segurar um coração.

Um choro nos faz ver com mais clareza.
Quanta beleza fez eterno o nosso fim?
Por quantas vezes eu te quis perto de mim?
Por muitos fins, eu nunca quis te perder...

Álisson Bonsuet.


O matador de dragões

Vida, trocastes nossa subjetividade.
Troquei-nos por um pedaço de pão maior.
Disseram-nos que assim seria melhor.
Ou nunca mais seria o mesmo.

Não creio que tinham algo a dizer.

Talvez, nunca quisesses crer.
Mas, se é pra crescer, nos encurtamos até a morte,
qual a sorte é controversa.

Vida, onde eu ponho os versos que vivemos juntos?

Ao lado dos papeis do nada que viraram lixo?
Perto dos documentos fardados que pagaram-me as contas?
Tão longe de nós que sonhávamos em matar dragões.

Álisson Bonsuet.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Resumo cotidiano

Angústia estava solitária, recordou os velhos e bons tempos que andara com Saudade, marcaram um encontro, quem sabe, tomar um café e logo se casarem. Alegria apareceu no casamento, levou contigo teu parente, Felicidade, só não sabia que o padre do casório seria Esperança. Tudo ocorreu como planejado, só nunca se soube o motivo da união não ter durado, curado, maltratado ou ainda matado...

Álisson Bonsuet.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Analogia evidente

Sinto-me sujo, possessivo.
Morto pelo mesmo fardo.
Como alguém nascido em 29.
Como alguém nascido em abril.

Não me deixes amor;
diria sem parar, eu juro.
Juro te deixar voar, eu juro.
Juro nunca te deixar, imploro.

Mas e se fosse contigo.
Que perigo iria ser.
Só ne me quitte pas.
Não me faz morrer.

Álisson Bonsuet.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Cão de bar

Dentro de uma fortaleza.
Qualquer homem é mais homem.
Não precisa sobrenome,
é preciso ser amargo.

Pra sonhar como um belo.
Só é preciso ser sincero.
É preciso despudor.
É preciso de amar.

E falando em amor,
É notório o prazer.
Ser somente de você.
É o que move minha emoção.

Pense então que um boêmio.
Desistiu das noites frias.
Quer passar todos os dias.
Com café e pé bem quente.

Álisson Bonsuet.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Tempo de padre

Saudade, do tempo em que era vivo.
Saudade, da vida em meu amor.
Me derrete em silêncio, saudade, por favor!

Estando sem rumo, sem riso, sem circo.
O palhaço é chato, ranzinza.
Alivia a dor da menina seu padre.
Deixa a gente se casar! 

Construindo um castelo de cinzas.
Sem cor, sem mobília.
Sem amor cultivar.

Volta logo pro ateu.
Todo dia, dia e noite peço a Deus.
Cale-se e me beba, pra nunca mais ser triste!
Coma-me e festeje, é o pecador que insiste!

Álisson Bonsuet.