sábado, 19 de janeiro de 2013

O matador de dragões

Vida, trocastes nossa subjetividade.
Troquei-nos por um pedaço de pão maior.
Disseram-nos que assim seria melhor.
Ou nunca mais seria o mesmo.

Não creio que tinham algo a dizer.

Talvez, nunca quisesses crer.
Mas, se é pra crescer, nos encurtamos até a morte,
qual a sorte é controversa.

Vida, onde eu ponho os versos que vivemos juntos?

Ao lado dos papeis do nada que viraram lixo?
Perto dos documentos fardados que pagaram-me as contas?
Tão longe de nós que sonhávamos em matar dragões.

Álisson Bonsuet.


sexta-feira, 18 de janeiro de 2013

Resumo cotidiano

Angústia estava solitária, recordou os velhos e bons tempos que andara com Saudade, marcaram um encontro, quem sabe, tomar um café e logo se casarem. Alegria apareceu no casamento, levou contigo teu parente, Felicidade, só não sabia que o padre do casório seria Esperança. Tudo ocorreu como planejado, só nunca se soube o motivo da união não ter durado, curado, maltratado ou ainda matado...

Álisson Bonsuet.



quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Analogia evidente

Sinto-me sujo, possessivo.
Morto pelo mesmo fardo.
Como alguém nascido em 29.
Como alguém nascido em abril.

Não me deixes amor;
diria sem parar, eu juro.
Juro te deixar voar, eu juro.
Juro nunca te deixar, imploro.

Mas e se fosse contigo.
Que perigo iria ser.
Só ne me quitte pas.
Não me faz morrer.

Álisson Bonsuet.


sábado, 29 de dezembro de 2012

Cão de bar

Dentro de uma fortaleza.
Qualquer homem é mais homem.
Não precisa sobrenome,
é preciso ser amargo.

Pra sonhar como um belo.
Só é preciso ser sincero.
É preciso despudor.
É preciso de amar.

E falando em amor,
É notório o prazer.
Ser somente de você.
É o que move minha emoção.

Pense então que um boêmio.
Desistiu das noites frias.
Quer passar todos os dias.
Com café e pé bem quente.

Álisson Bonsuet.


terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Tempo de padre

Saudade, do tempo em que era vivo.
Saudade, da vida em meu amor.
Me derrete em silêncio, saudade, por favor!

Estando sem rumo, sem riso, sem circo.
O palhaço é chato, ranzinza.
Alivia a dor da menina seu padre.
Deixa a gente se casar! 

Construindo um castelo de cinzas.
Sem cor, sem mobília.
Sem amor cultivar.

Volta logo pro ateu.
Todo dia, dia e noite peço a Deus.
Cale-se e me beba, pra nunca mais ser triste!
Coma-me e festeje, é o pecador que insiste!

Álisson Bonsuet.


quinta-feira, 15 de novembro de 2012

Interrogatório bionte

 "Se não me amasse talvez não me odiaria tanto"
 Acordei com esta frase ecoando em minha mente, como é ruim passar a noite sem dormir, tantos problemas acontecendo no mundo, que espécie de herói sou eu ? Não quero vestir a capa e ir a luta, quero cafuné, quero café, né ?! Correr tanto pra encontrar a vida, que linda ela é, já construímos tanto juntos, é justo ! Hoje o meu rei não quer ser rico, disse-me que já tinha tudo, assistia aos filmes que desejava, lia os livros que queria, e agora ? O que fará da vida? Da que ainda resta...  E a rainha, aquela que não quer ver mais nenhuma peça, só quer com urgência chegar em algum lugar, nem ela sabe onde é, e o que fará quando chegar ?
E assim eu vou seguindo, com "o nosso amor e ódio eterno", esperando a minha vez de ser rei, esperançando não ser tão real, e se a bagagem é o que se leva, a aprendizagem vem sem pressa.

Álisson Bonsuet.

sexta-feira, 9 de novembro de 2012

Lápide

Amaram-me como merecido.
Comeram-me todos os meus sorrisos.
Beberam-me toda a vida.
E se é por fim, aqui se encontra !

Farei de conta que a vida continua.
Talvez na terra, dentro dela é o meu lugar.
E já que parei de ter a casca, eu ganhei minha alforria.
Ter a certeza todo dia, e aqui, quem não virá ? 

Álisson Bonsuet.