Bonsuet
segunda-feira, 17 de março de 2014
Trinta minutos sendo porco
A frase mais ouvida e dita depois do fim de um relacionamento é: "Depois da tempestade o sol brilha mais forte" (Com as suas variações). Tenho quase vinte anos, mais de vinte relacionamentos, com certeza. E por falar em certeza, sabe quando você diz: "Eu já vi esse filme antes"? Relacionamentos de no máximo três meses, uma paixão intensa, o melhor sexo do mundo, as melhores canções, o céu muda de cor, tudo fica mais bonito, a bossa sai da fossa. No segundo mês de namoro, após você achar que realmente conhece a pessoa, acaba dando espaço suficiente pra ela poder dizer quem ela é, o que ela pensa do mundo, e por conta de apenas uma palavra teu coração pulsa forte, ela falou a palavra "EX", agora comece a pensar que aquela pessoa que você tanto ama, ilusão, foi de outra pessoa e disse um belo: "Eu te amo", pro mundo inteiro ouvir. Pense ainda que, se existirem mais do que dois "ex-namorados" ela pode, a qualquer hora dizer isso pra outro depois de você. Se a pessoa é nova não viveu e vai querer viver, se a pessoa é velha não vai querer te ver viver, egoísmo? Não, não é, é medo de perder, mas não ache que é medo de te perder, é medo de ficar sozinho, é medo de chegar aos cinquenta sem ter um marido dentro de casa pra consertar a pia que está vazando, é medo de chegar aos quarenta e ver que teus amigos tem mulher e você é o ultimo dos solteiros da sua turma que fazia "bagaça" na adolescência. A traição, salve Deus Baco, salve o cachorro que come a família toda sem preconceito nenhum, salve São Mr. Catra que é quase o Roberto Carlos da esbórnia (Para os que não entendem a "esbórnia" não é um país, se fosse seria chamado de Brasil). Vai trabalhar pra ter dinheiro e mostrar que pode ter um bom carro, melhorar a aparência, aprender línguas, tudo isso pra ser mais interessante para o sexo oposto. É como se, na nossa vida inteira, fossemos lapidando o nosso "currículo do amor" (Achei brega, mas é isso que o amor é) pra poder ter alguém que além de bonito e rico seja atencioso, carinhoso e aceite os seus defeitos. Pós modernismo e ainda tem gente que espera o príncipe encantado, salve Cássia Eller que fez do príncipe um sapo. Agora vai lá, comece o seu novo relacionamento e seja feliz, trabalhe, ganhe dinheiro, construa tua casa, traia e seja traído (Importante que ninguém saiba) é isso que esperamos de você. Homens, se chegarem aos cinquenta, ricos, favor trocar suas esposas por uma novinha. Mulheres, se chegarem aos cinquenta, com um corpo bonito, favor fazer com que o seu marido olhe apenas pra você. Eu sou Brasileiro, país que se diz laico, mas, que construiu sua base acerca do catolicismo, me pergunto, comer Bacon e ter um relacionamento cheio de ilusões ou ter mais de um relacionamento e deixar o pobre do porco gozar feliz por mais trinta minutos?
terça-feira, 11 de março de 2014
Ar
Quantos nós já percorridos neste amar pra quatros pés te encontrar, laiá, laiá.
Amor próprio é cê me amar.
Presta atenção, esquece a tensão guria, empresta tua mão que é pra gente se casar.
Que sonho bom, e digo mais, laiá, laiá.
Álisson Bonsuet.
Amor próprio é cê me amar.
Presta atenção, esquece a tensão guria, empresta tua mão que é pra gente se casar.
Que sonho bom, e digo mais, laiá, laiá.
Álisson Bonsuet.
segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014
Matilde, meu coração
Vanessa que eu fico mais Soraia.
Me deixe em Doralice e dê adeus a D. Amora.
Rosa seca tipo Ana que sorria.
Agatha que bonita quando Mia.
Toda menina baiana tem uma Sandra.
Piloto é de Acássia.
A Margarida é querida e é amarga.
Amandona.
Celeste ou oeste, eu não sei.
Peguei umas seis.
Só seios disso.
Álisson Bom talvez.
Me deixe em Doralice e dê adeus a D. Amora.
Rosa seca tipo Ana que sorria.
Agatha que bonita quando Mia.
Toda menina baiana tem uma Sandra.
Piloto é de Acássia.
A Margarida é querida e é amarga.
Amandona.
Celeste ou oeste, eu não sei.
Peguei umas seis.
Só seios disso.
Álisson Bom talvez.
Flor de luz
Todas as minhas noites.
Essas que estão vivos os meus sonhos com você.
A essas noites desejo o eterno.
Meus humildes versos para te dizer:
Olha pra mim, estou dentro de nós dois, apois...
Guardo em minha mente, suja.
Uma simples falha, certa.
Elefantemente, lembro.
Raridade nossa, nua.
Rua tão contente, rio.
Águas em teu corpo, corro.
Álisson Bonsuet.
Essas que estão vivos os meus sonhos com você.
A essas noites desejo o eterno.
Meus humildes versos para te dizer:
Olha pra mim, estou dentro de nós dois, apois...
Guardo em minha mente, suja.
Uma simples falha, certa.
Elefantemente, lembro.
Raridade nossa, nua.
Rua tão contente, rio.
Águas em teu corpo, corro.
Álisson Bonsuet.
segunda-feira, 20 de janeiro de 2014
Ensaio sobre o que eu aprendo com ela
Como é bonito este amor, meu amor.
A inspiração para compor que me fez amar-te.
E é por isso que eu ostento tanta felicidade,
E é por isso que eu contesto a nossa baianidade.
Batuque na gente.
Ouço o tambor bater na cidade,
É teu coração que toca e me invade.
De corpo fechado e sorriso na lata.
Seus olhos abrindo despertam pirraça.
Aprendo a ser vivo, homem e pirata.
Que brinca descalço a infância amada.
É que contigo sou isso, sou homem, sou gente.
Sou criança e sorriso, de peito carente.
Álisson Bonsuet.
sábado, 11 de janeiro de 2014
Conversa com cigarro
Mais um dia sem saber pra onde vamos.
Mais um dia sem saber o que é a vida.
Se estamos de partida ou se partir é transição.
Mais um dia mergulhado em solidão.
Ouvindo gente morta num radinho sem canção.
E esses sonhos, e essa vontade de querer viver?
Sempre a procura de quem realmente tu és.
De gente que a gente nunca encontra nos bordeis.
E ainda estamos sós companheiro.
Eu, você e esse isqueiro, fuleiro...
Álisson Bonsuet.
Mais um dia sem saber o que é a vida.
Se estamos de partida ou se partir é transição.
Mais um dia mergulhado em solidão.
Ouvindo gente morta num radinho sem canção.
E esses sonhos, e essa vontade de querer viver?
Sempre a procura de quem realmente tu és.
De gente que a gente nunca encontra nos bordeis.
E ainda estamos sós companheiro.
Eu, você e esse isqueiro, fuleiro...
Álisson Bonsuet.
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
Sobre a bomba relógio que é viver
Acordei cedo por causa da ressaca do dia anterior, da dor de barriga na madrugada, da solidão.
Liguei a cafeteira e recebi um beijo materno daqueles calorosos de quando tinha apenas oito anos; fiz uma viagem pra um tempo feliz sentado no vaso; lembrei de quando tinha uns sete, era comum os meninos até essa idade andarem pela casa somente de cueca, se chegasse visita não tinha importância, nessa idade não existe conotação sexual, o que existe é a comodidade de um menino que se conforta no sofá e mergulha a cara numa televisão de tubo assistindo desenhos animados. As perguntas recorrentes, "E ai, passou de ano?", "Você está em que série mesmo?", "Já está de férias?", e as respostas sempre eram as mesmas,"Passei direto", "Sou o aluno número um da turma", isso de fato era verdade, meu nome vinha antes do de todos na caderneta.
Dei descarga e ao levantar o rosto pra fazer a barba percebi que eu tenho uma cicatriz embaixo do queixo, essa é quase uma marca registrada dos meninos hiperativos de minha época.
Passei o barbeador amarelinho no rosto com mais força que o normal e me cortei, veio logo a lembrança de querer imitar o meu pai fazendo a barba sozinho no banheiro com uns cinco ou seis anos de idade, minha mãe enlouqueceu, "Meu filho quer ser homenzinho, tá querendo me deixar mais velha", "Filho, cada coisa em seu tempo", "Menino, que sangue é esse?!". E deixei escorrer o sangue que era, naquela hora, a única certeza de que ainda estou vivo, sentado, confortado e de cueca, mergulhado no final de mais um livro. Obrigado Rubem Braga.
Álisson Bonsuet.
Liguei a cafeteira e recebi um beijo materno daqueles calorosos de quando tinha apenas oito anos; fiz uma viagem pra um tempo feliz sentado no vaso; lembrei de quando tinha uns sete, era comum os meninos até essa idade andarem pela casa somente de cueca, se chegasse visita não tinha importância, nessa idade não existe conotação sexual, o que existe é a comodidade de um menino que se conforta no sofá e mergulha a cara numa televisão de tubo assistindo desenhos animados. As perguntas recorrentes, "E ai, passou de ano?", "Você está em que série mesmo?", "Já está de férias?", e as respostas sempre eram as mesmas,"Passei direto", "Sou o aluno número um da turma", isso de fato era verdade, meu nome vinha antes do de todos na caderneta.
Dei descarga e ao levantar o rosto pra fazer a barba percebi que eu tenho uma cicatriz embaixo do queixo, essa é quase uma marca registrada dos meninos hiperativos de minha época.
Passei o barbeador amarelinho no rosto com mais força que o normal e me cortei, veio logo a lembrança de querer imitar o meu pai fazendo a barba sozinho no banheiro com uns cinco ou seis anos de idade, minha mãe enlouqueceu, "Meu filho quer ser homenzinho, tá querendo me deixar mais velha", "Filho, cada coisa em seu tempo", "Menino, que sangue é esse?!". E deixei escorrer o sangue que era, naquela hora, a única certeza de que ainda estou vivo, sentado, confortado e de cueca, mergulhado no final de mais um livro. Obrigado Rubem Braga.
Álisson Bonsuet.
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