segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

Ensaio sobre o que eu aprendo com ela

Como é bonito este amor, meu amor.
A inspiração para compor que me fez amar-te.
E é por isso que eu ostento tanta felicidade,
E é por isso que eu contesto a nossa baianidade.

Batuque na gente.

Ouço o tambor bater na cidade,
É teu coração que toca e me invade.
De corpo fechado e sorriso na lata.
Seus olhos abrindo despertam pirraça.

Aprendo a ser vivo, homem e pirata.
Que brinca descalço a infância amada.
É que contigo sou isso, sou homem, sou gente.
Sou criança e sorriso, de peito carente.

Álisson Bonsuet.



sábado, 11 de janeiro de 2014

Conversa com cigarro

Mais um dia sem saber pra onde vamos.
Mais um dia sem saber o que é a vida.
Se estamos de partida ou se partir é transição.

Mais um dia mergulhado em solidão.
Ouvindo gente morta num radinho sem canção.

E esses sonhos, e essa vontade de querer viver?
Sempre a procura de quem realmente tu és.
De gente que a gente nunca encontra nos bordeis.

E ainda estamos sós companheiro.
Eu, você e esse isqueiro, fuleiro... 

Álisson Bonsuet.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Sobre a bomba relógio que é viver

Acordei cedo por causa da ressaca do dia anterior, da dor de barriga na madrugada, da solidão.
Liguei a cafeteira e recebi um beijo materno daqueles calorosos de quando tinha apenas oito anos; fiz uma viagem pra um tempo feliz sentado no vaso; lembrei de quando tinha uns sete, era comum os meninos até essa idade andarem pela casa somente de cueca, se chegasse visita não tinha importância, nessa idade não existe conotação sexual, o que existe é a comodidade de um menino que se conforta no sofá e mergulha a cara numa televisão de tubo assistindo desenhos animados. As perguntas recorrentes, "E ai, passou de ano?", "Você está em que série mesmo?", "Já está de férias?", e as respostas sempre eram as mesmas,"Passei direto", "Sou o aluno número um da turma", isso de fato era verdade, meu nome vinha antes do de todos na caderneta.
Dei descarga e ao levantar o rosto pra fazer a barba percebi que eu tenho uma cicatriz embaixo do queixo, essa é quase uma marca registrada dos meninos hiperativos de minha época.
Passei o barbeador amarelinho no rosto com mais força que o normal e me cortei, veio logo a lembrança de querer imitar o meu pai fazendo a barba sozinho no banheiro com uns cinco ou seis anos de idade, minha mãe enlouqueceu, "Meu filho quer ser homenzinho, tá querendo me deixar mais velha", "Filho, cada coisa em seu tempo", "Menino, que sangue é esse?!". E deixei escorrer o sangue que era, naquela hora, a única certeza de que ainda estou vivo, sentado, confortado e de cueca, mergulhado no final de mais um livro. Obrigado Rubem Braga.

Álisson Bonsuet.

sábado, 14 de dezembro de 2013

Eu alheio

Entre cafés e espetáculos histéricos.
Entre em minha vida neste meio tempo.
Leva a chuva pra fora, arranque-a do peito.

Entre textos e lixos neste meu quarto.
Enxergo dois terços de mim em você.
Escrevo, não cala, sinto os ouvidos, erótica fala.

'A luz apaga'

Me cego se pego um poema de outra autoria.
Um daqueles que pareciam descrever você.

'A luz acaba'

Falavam dos olhos de lua da amada.
Dos lábios sutis, bochecha quase rosada.
Do cabelo negro, de branco e de índio.
Do banho e da noite, talvez foi comigo!

'Abre as janelas'

Agora sou eu quem cuida dela.
Essa poesia sincera, esse amor europeu.
Que sofre, que ama, pergunta e exclama:
- Quem me amou se o amor é todo teu?

Álisson Bonsuet.

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Me sopra amor

Deixa eu sentar no teu sofá.
Contar uns dois segredos.
E quebrar aquele gelo só pra gente não brigar.

Deixa eu olhar teu brinco.
Brincar de ser adulto, sorrindo! Gemendo!
Correndo por teu sangue, pulsação do coração. 

Amor, não me deixa não.
Nem pense, pensar faz tão mal.
Vamos viver sem quarta feira neste eterno carnaval.

Passou hoje no jornal uma manchete de quinta que explicava uma simpatia:
- Hoje é dia de amar, tirar a naftalina do guarda-roupas, veste a melhor das faces loucas e morrerás de namorar.

Descalça sapato, tira a calça, tira o sutiã, amor, ta calor, vem cá.

Álisson Bonsuet.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Esteriotipando

Amanda nunca foi amada.
Robério nunca roubou nada.
Américo nasceu na Espanha.
Cornélio morreu sem namorar.
Maria Auxiliadora nem se ajudava direito.
Marinaldo nunca viu o mar e nunca foi porteiro.
Já Dandara, ah Dandara, essa era puta de carteira assinada!

Álisson Bonsuet



quinta-feira, 31 de outubro de 2013

És um assalto em mim

Seremos só amor de madrugada.
Ouvir gemidos, duas almas apaixonadas.
Seremos só amor o tempo inteiro
Domingo a noite, eu e você sem fazer nada.

E viveremos nisso, do sonho mais bonito.
Sem ser bandido, assalto a mão amada.
Quebrar retratos, te lembrar que és namorada.
E rir da peça, da paixão mais desastrada.

Álisson Bonsuet